O governo do Rio Grande do Norte quer manter as restrições do funcionamento do comércio até pelo menos o próximo dia 5 de maio. Nessa nova data, o Executivo pretende reavaliar a possibilidade de retomada das atividades. O posicionamento foi dado após reunião com representantes de setores do comércio, que se mostraram favoráveis a uma maior flexibilização das medidas de isolamento social e de que o novo decreto não seguisse às mesmas restrições do atual, que é válido até quinta-feira (23).

Em nota, o governo afirmou que essa posição é baseada nas recomendações de especialistas do mundo inteiro e do corpo de técnicos do RN, que “falam sobre a necessidade de permanência do isolamento social”.

O Poder Executivo informou também que criou um grupo de trabalho com representantes do governo, dos empresários, do comitê científico e da Federação dos Municípios para elaborar um plano para a retomada do funcionamento do comércio e da economia.

A governadora Fátima Bezerra, o vice-governador Antenor Roberto e secretários estiveram reunidos nesta terça-feira (21), por videoconferência, com representantes da Fiern, Fecomércio, Fetronor, Faern e diversos sindicatos e representantes do setor produtivo discutindo sobre as ações de restrição do comércio.

Fecomércio pede flexibilização

Após a reunião, Fecomércio emitiu uma nota se mostrando favorável à flexibilização do isolamento social no estado. A federação defende que haja uma “retomada gradual das atividades socioeconômicas”. Ela propôs que o novo decreto não fosse renovado como está o atual e que fossem pensadas formas para que os estabelecimentos comerciais pudessem voltar a funcionar, “desde que não utilizem sistema de ar condicionado central”.

“Considerando a interligação inevitável entre este isolamento e a atividade econômica geradora de ocupação e renda, identificamos a necessidade urgente de traçarmos um cenário de retomada gradual das atividades socioeconômicas”, diz em nota a Fecomércio. “É a única como forma de evitarmos que o sofrimento do nosso povo seja prolongado além do estritamente necessário”.

O pedido de flexibilização se dá, segundo a Fecomércio, por alguns fatores. Ela acredita que os números de novos casos e mortes estão “bastante abaixo das médias nacional e, sobretudo, daquelas registradas nos países onde o vírus foi mais devastador”.

Além disso, a federação acredita que os 22% do uso dos leitos de UTIs destinados a pacientes com Covid-19 até domingo (19) no estado, aliado às novas vagas sendo implantadas, “dá uma situação bastante positiva” em relação à ocupação.

A Fecomércio aponta ainda que tem registros de “quedas de até 92% no faturamento de segmentos que estão fechados (caso do segmento de turismo e transportes) e de até 49% mesmo entre os que estão abertos (situação dos postos de gasolina)”.

Ao todo, segundo a federação, desde 8 de abril estão fechados cerca de 46 mil estabelecimentos comerciais do comércio varejista, já que não se enquadram como essenciais. “Juntos, estes estabelecimentos empregam mais de 54 mil potiguares, direta e formalmente, e pagam cerca de R$ 67 milhões em salários”, diz a nota.

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